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	<title>velhos caubóis não choram</title>
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	<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 19:46:21 +0000</pubDate>
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		<title>Trilhos e Rios</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 15:43:09 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Partículas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu fazia o trajeto todos os dias para ir trabalhar. O ônibus com todos lugares ocupados, o calor, o balaçar na estrada movimentada. Os carros riscando o asfalto. Eu procurava sentar ao lado da janela e observar tudo dali.
Num trecho o ônibus passava sobre uma ponte e dava para ficar observando os trilhos do trem. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu fazia o trajeto todos os dias para ir trabalhar. O ônibus com todos lugares ocupados, o calor, o balaçar na estrada movimentada. Os carros riscando o asfalto. Eu procurava sentar ao lado da janela e observar tudo dali.</p>
<p>Num trecho o ônibus passava sobre uma ponte e dava para ficar observando os trilhos do trem. A terra, a poeira, a vegetação rasteira em volta, as pedras entre as barras que reluziam ao sol. Era como uma promessa boa. Logo após surgia um rio. Silencioso, movendo-se lentamente com suas águas escuras. Era assustador e belo como um monstro cor-de-rosa.</p>
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		<title>Os Homens sob o sol</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Nov 2007 13:09:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Partículas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quase que diariamente eu passo por lá, faz parte do meu trajeto enquanto estou indo para o meu trabalho. Enquanto estou indo fazer minha parte para no final do mês receber minha migalha. Estou no ônibus e num certo momento, num certo lugar o ônibus passa por eles. Por uns homens, cinco, seis&#8230; Não sei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Quase que diariamente eu passo por lá, faz parte do meu trajeto enquanto estou indo para o meu trabalho. Enquanto estou indo fazer minha parte para no final do mês receber minha migalha. Estou no ônibus e num certo momento, num certo lugar o ônibus passa por eles. Por uns homens, cinco, seis&#8230; Não sei ao certo em quantos são, sei que não são sempre os mesmo. Eles estão apenas lá, com suas roupas puídas, gastas, velhas. Estão fumando e rindo, barbas por fazer, cabelos desgrenhados. Parecem não terem muita sorte. Estão lá com suas sacolas de supermercado onde trazem suas coisas. Parece que estão esperando por algum &#8220;bico&#8221;, talvez carregar algum caminhão para conseguir uns trocados. São feios, homens duros e quebrados. Vejo passar de mão em mão uma garrafa plástica com bebida. E eles bebem a bebida, fumam e riem. Gesticulam enquanto esperam e conversam. Conversam e riem. O mais assombroso é a tranqüilidade que parecem ter mesmo com tanta dureza. Não possuem belas mulheres, não possuem dinheiro, casa própria. Nada. Estão apenas lá, esperando alguma coisa sob o sol.</p>
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		<title>O sorriso de Ernest</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Nov 2007 22:23:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiskow</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma cidadezinha muito triste, perdida no meio do nada, rodeada por pedras e arbustos. Tinha apenas um bar e os homens se reuniam, especialmente nas noites de sexta-feira.O velho Ernest gostava de ir beber e fumar seu charuto sem dar muito papo para ninguém. Certa noite Ernest não apareceu. Todos estranharam sua ausência. Mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Era uma cidadezinha muito triste, perdida no meio do nada, rodeada por pedras e arbustos. Tinha apenas um bar e os homens se reuniam, especialmente nas noites de sexta-feira.O velho Ernest gostava de ir beber e fumar seu charuto sem dar muito papo para ninguém. Certa noite Ernest não apareceu. Todos estranharam sua ausência. Mesmo não sendo muito de conversa, Ernest fazia parte daquilo. Do bar, das noites de sexta-feira e da solidão do lugar.A noite ia quente e pegajosa, arrastando-se madrugada a dentro e o assunto não era outro senão a ausência de Ernest.Então, no meio da madrugada Ernest entrou porta a dentro. Todos pararam de beber, fingiram não ligarem ao vê-lo entrar, mas o silêncio reinou no lugar. Ernest trazia consigo uma mulatinha. Uma pequena e jovem e macia mulatinha. Aparentava não mais que quinze, talvez dezesseis anos de idade.Ernest entrou silencioso e procurou seu canto no bar. A mulatinha seguia ao seu lado. Ernest segurava sua pequena mão. Ela desfilou tímida até a mesa, o corpo desenhado e fresco. Usava uma velha calça de jeans que marcava sua bela bunda. Os homens olhavam enquanto os dois sentaram. Ernest ignorou à todos e sorriu para a mulatinha depois de sentarem.- Quer uma cerveja, boneca? - perguntou Ernest com uma leveza que deixou todos espantados. Ernest era um homem rude de aparência, mãos grossas e calejadas, de pouquíssimo sorriso.A mulatinha sorriu tímida. Um sorriso de anjo e ao mesmo tempo sensual. Era muito bonita, os dentes muito brancos e lindos.- Sim. Vou querer.Ernest chamou o velho garçom.- Traga uma cerveja para nós. Bem gelada, que queremos matar a sede.- Mais alguma coisa? - perguntou o garçom sem conseguir disfarçar os olhares gulosos para a mulatinha.- Traga também algumas batatas fritas. Minha garotinha de deve estar com fome.O garçom olhou para ela. A mulatinha acendia um cigarro.- Você não deve fumar, neném - disse Ernest.- Ora, Ernest. Você me conheceu fumando e fumando continuarei.Ernest sorriu.- Está bem, querida.O garçom trouxe a cerveja e as batatas fritas. Os dois beberam e comeram com vontade. A mulatinha atraía a todos. Era muito sensual. Tinha volúpia nos olhos. O decote mostrava a pele linda e morena, brilhava. Tinha os seios médios e os bicos marcavam a blusa verde colada ao corpo.Ficaram todos imaginando e se perguntando de onde Ernest havia conseguido aquela garota. Invejavam, mas falavam uns aos outros que Ernest estava ficando louco. Uma aparecer com uma garota com não mais que dezesseis anos de idade. E vestida daquela maneira, com aquelas roupas que mais parecia de uma prostituta de estrada. Aquelas roupas coladas ao corpo. Mostrando os peitos, fumando e bebendo ali no bar dos homens.Ernest não estava respeitando a memória de sua falecida mulher. Fazia mais de dez anos que ela morrera e desde então Ernest vivera solitário. Trabalhando como um burro de carga, um desgraçado. Sorrindo muito pouco e voltando para casa sozinho depois de beber no bar todas sextas-feiras.Ernest percebeu os olhares, os cochichos, tudo. Percebeu os olhares de reprovação, e também os de desejo sobre sua mulatinha. Ernest pegou mais algumas cervejas, comprou cigarros e mais comida. Pagou tudo e foi-se embora com sua mulatinha Ao saírem do bar de mãos dadas, Ernest olhou as estrelas naquela noite quente. Ele mal continha o sorriso no rosto.</p>
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		<title>Brigitte Bardot, pancadas e cinco mil</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Nov 2007 22:18:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiskow</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Jack escolheu esse nome depois de vê-lo estampado na capa de um livro. Buumm! Uurrff! O cruzado veio rápido e explodiu no lado esquerdo de seu rosto. Jack o Estripador, ele leu, e minutos depois Carlos decidiu denominar-se Jack, o Demolidor.
Nos segundo que se passaram Jack lembrou-se de Júlia. A loira que meteu-se em sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Jack escolheu esse nome depois de vê-lo estampado na capa de um livro. Buumm! Uurrff! O cruzado veio rápido e explodiu no lado esquerdo de seu rosto. Jack o Estripador, ele leu, e minutos depois Carlos decidiu denominar-se Jack, o Demolidor.<br />
Nos segundo que se passaram Jack lembrou-se de Júlia. A loira que meteu-se em sua vida numa noite fria e estranha. Era uma Brigitte Bardot do sul. O rosto, suave e lindo, um sorriso capaz de derrubá-lo, de deixá-lo sem defesas.<br />
O nariz estourado, o gosto de sangue na boca e Jack só pensava em Júlia, sua Brigitte Bardo. O suave raio de sol banhando seu corpo, a promessa da felicidade. O sorriso, a boca absurdamente sensual.<br />
O impacto, violento e seco jogou a cabeça de Jack para o lado como se ela fosse arrancar-se do pescoço. Alguma coisa balançou lá dentro. Era o cérebro.<br />
As apostas pagavam 10 por 1 contra Jack. Jack era o azarão. Sempre foi, a vida inteira. Mas agora ele tinha Júlia. Júlia com seu rosto de Brigitte Bardot, e aquele corpo cuvilíneo, fresco como margaridas de alguma terra paradisíaca. Talvez vindo do próprio paraíso. Jack tinha Júlia e também sua dívida. Quatro mil reais. Júlia disse a ele há uma semana, deitada sob o velho lençol de pensão. &#8220;Devo quatro mil reais&#8221;. E com a mesma naturalidade de quem come um pedaço de pão com margarina continuou, &#8220;Se eu não pagar em uma semana eles me matam!&#8221; Jack sentiu o baque. &#8220;QUATRO MIL REAIS&#8221;, ele pensou. &#8220;Isso é uma fortuna para se conseguir em uma semana, em um mês, em meses&#8221;.<br />
No dia seguinte, depois de uma transa com Júlia que só serviu para ele perceber que não viveria mais sem ela, o telefone tocou. Era Rodrigues. Ele tinha uma luta para Jack. &#8220;Consegui uma luta seu desgraçado, vença desta vez!&#8221;, rosnou Rodrigues. &#8220;Se vencer você leva cinco mil pratas, é a luta da sua vida&#8221; Rodrigues nunca esteve tão certo.<br />
Jack não ouviu quando um som metálico soou, havia apenas escuridão, Júlia e alguma coisa zunindo dentro da sua cabeça. Ele foi para o canto do ringue e tentou respirar um pouco.<br />
Sexto round. Jack partiu para cima do adversário. Quadrinhos. Sem saber o porquê ele lembrou de quando desejava ser um quadrinista. Esquivou-se e algo passou rasgando sua orelha. Os primeiro esboços e as primeiras histórias que voltaram das editoras. Pum, pum, pum! Jack revidou e acertou três socos no baço do adversário. Cinco mil reais! Jack sempre fora um azarão. Júlia fumava um cigarro após o outro enquanto esperava Jack na escuridão do quarto. A luz fantasmagórica da televisão deixava Júlia mais misteriosa e sensual. Jack continuou batendo forte. Um counter punch, um uppercut. Isto, isto. Bater, bater e bater! Sua Brigitte Bardot do Sul. Caralho! Como uma mulher com um rosto e um corpo como aquele andava em botecos fodidos, misturada com aqueles caras.<br />
Foi lá que Jack a viu pela primeira vez e trocou as primeiras palavras. Ela quase morreu de rir. &#8220;Um boxeador!&#8221;. &#8220;Você é o primeiro boxeador que vejo em toda minha vida, ha,ha,ha&#8221;. &#8220;Gostava do Mike Taison, antes dele perder pra todo mundo, claro&#8221;, disse ela. Jack sorriu e era bom sorrir. Ela o fazia sorrir facilmente.<br />
Jack esquivou-se, dançou o corpo para direita e soltou um guancho de esquerda como ele nunca havia feito. PUUUMMMM!! O cara cambaleou atordoado, os lábios inchados de Jack desenharam um sorriso e ele saltou sobre o adversário como um tigre faminto. PUMPUMPUMPUM!! O cara tombou. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez! Jack venceu e sorriu, ou tentou. A visão embaçada transformara tudo ao seu redor em espectros. Jack engoliu mais uma bola de sangue enquanto um homem levantava seu braço proclamando-o vencedor.<br />
No bar próximo ao ginásio Jack bebia um café. O corpo doía mas ele se sentia muito bem. Jack deu o último gole e tirou uma nota de cinco reais do bolso.<br />
- Fique com o troco, amigo - disse ele para o garçom. &#8220;Tenho cinco mil reais na carteira e minha Brigitte Bardot está me esperando&#8221;, pensou antes de partir.</p>
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		<title>Sereia</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Nov 2007 22:17:15 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Sem-categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Existe um conto do escritor Borges no qual um homem circula pela cidade sempre vestido da mesma maneira. Circula pelas ruas tranqüilamente, calmo, sem dar muita atenção para ninguém. Acho que sem dar atenção alguma. O homem tranqüilo, que veste sempre as mesmas roupas diariamente, que passa sem chamar a atenção de ninguém é apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Existe um conto do escritor Borges no qual um homem circula pela cidade sempre vestido da mesma maneira. Circula pelas ruas tranqüilamente, calmo, sem dar muita atenção para ninguém. Acho que sem dar atenção alguma. O homem tranqüilo, que veste sempre as mesmas roupas diariamente, que passa sem chamar a atenção de ninguém é apenas mais um pacato cidadão de uma simples cidade. Isso se repete por alguns dias, semanas, meses, até que numa certa noite dois policiais entram em sua casa e o predem. Motivo: O homem andava pela cidade completamente nu. Seu terno não passava de uma simples pintura sobre seu corpo. Genial. Borges havia acertado novamente.<br />
Depois de escrever duzentos contos eu havia desistido deles, ou eles haviam me abandonado. Ou os dois. Estou de jeans, sem camiseta e tendando convercer Lulu que eu deveria estar louco em continuar tentando. Lulu me dava conselhos, dizia que era assim mesmo e que seria uma questão de tempo para eu voltar a escrever.<br />
- Você ainda escreverá muitos livros.<br />
- Sei&#8230;<br />
- Gosto dos teus contos.<br />
- Sei.<br />
- Ei, lembra aquela história da sereia que você encontrou em na praia de Osório?<br />
- Lembro.<br />
- Aquela foi uma boa história. A mulher surgir na noite enquanto você caminhava pela praia. Você levou ela para sua casa. Uma história comum, mas boa.<br />
- Foi uma história verdadeira, mas mudei algumas coisas. Na verdade ela estava deitada na beira da praia. Era uma mulher, quer dizer&#8230;, tinha o corpo de uma linda mulher, mas sem o rabo. Quero dizer, sem aquele rabo de peixe. Aconteceu no meio da noite, na minha cama, quando voltei do banheiro ela estava lá. Ainda linda e nua, sobre a cama, depois de termos feito. Você sabe, então me deparei com ela com aquele enorme rabo de peixe, com escamas e tudo. Não sei como mas ela havia se transformado numa sereia. Tive um trabalhão danado para levá-la de volta para o mar. Ela me pediu, sorrindo, linda, iluminada pela lua. Quase chorei quando ela se foi.<br />
- Isso é fantástico! Você quer dizer que aquela história é verdadeira?<br />
- Isso mesmo. Eu dormi com uma sereia.<br />
Lulu ficou quieta, pareceu que estava pensando naquilo tudo. Na sereia, nos meus contos, em tudo. Eu havia escrito 200 contos antes de eles me abandonarem. Porto Alegre dormia aos poucos.</p>
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