Eu fazia o trajeto todos os dias para ir trabalhar. O ônibus com todos lugares ocupados, o calor, o balaçar na estrada movimentada. Os carros riscando o asfalto. Eu procurava sentar ao lado da janela e observar tudo dali.
Num trecho o ônibus passava sobre uma ponte e dava para ficar observando os trilhos do trem. A terra, a poeira, a vegetação rasteira em volta, as pedras entre as barras que reluziam ao sol. Era como uma promessa boa. Logo após surgia um rio. Silencioso, movendo-se lentamente com suas águas escuras. Era assustador e belo como um monstro cor-de-rosa.
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